Assistindo In Loco à Paris Roubaix – 2018

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Paris Roubaix – 2018

Sobre a Paris Roubaix:

Paris–Roubaix é uma prova de ciclismo de estrada que acontece em apenas um dia no norte da França, próximo a fronteira com a Bélgica. Desde o seu início em 1896 até 1967 ela tinha sua largada em Paris e sua chegada em Roubaix, daí a origem do seu nome. A partir de 1968 a cidade de largada foi alterada para Compiègne, a aproximadamente 60 km do centro de Paris, sendo mantida a cidade da chegada. Famosa pelo terreno difícil e seus trechos de paralelepípedos, ela faz parte da chamadas corridas clássicas do calendário europeu e distribui pontos para o ranking mundial da UCI. Ela é conhecida como Inferno do NorteUm Domingo no InfernoRainha das Clássicas ou La Pascale.

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Course MAP

A prova teria a participação de 25 Equipes com 7 atletas cada equipe, um total de 175 profissionais em um único objetivo, consagrar seu capitão o grande vencedor da prova mais difícil do mundo. Com certeza absoluta a elite do ciclismo mundial estava ali e para conseguir o lugar mais alto do pódio.

A distância total da prova seria de 257km, sendo que desse total 54,5km são dividido em 29 setores de pavés ou em português paralelepípedos. É sem dúvida alguma a prova mais brutal que acontece no mundo do Ciclismo. Quem já ganhou Roubaix alguma vez é lembrando eternamente, digo eternamente pois para os Europeus, principalmente para os Belgas onde o ciclismo é um esporte muito tradicional como, o até mais que o Futebol.

O horário da largada foi dado as 11:00 horas da manhã do horário local. Era Prevista a conclusão da prova aproximadamente as 17:30hrs, ou seja mais de 6 horas de prova.

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Acampamentos em todos os lugares.

Nós, após o evento dos amadores no dia anterior, acordamos no hotel, após uma bela noite de cervejas e comemoração, arrumamos nossas malas, fizemos o check out e fomos para a estrada assistir a corrida in loco.

Eram 11 horas da manhã quando saímos do hotel. Tomamos um café nas tradicionais padarias francesas e fomos em direção ao setor N4 Carrefour d’Labre.

Estava na dúvida de onde seria o melhor lugar para assistir, pois geralmente os ataques principais e decisivos acontecem no setor do Carrefour, porém existe a contrapartida que ele é sempre o mais cheio, igual costuma ser a Floresta de Arenberg.

Existe uma forma de se acompanhar a corrida em 3 pontos diferentes no mesmo dia, já li algo sobre, mas é muito corrido, enfim, não entrarei nesse mérito pois desconheço como fazer.

O fato é, nossa decisão foi, ir até o setor do Carrefour, ver como estava em relação a quantidade de pessoas e assim decidir onde iríamos esperar a passagem dos atletas. A segunda opção nossa e a que no fundo eu até preferiria era ir para o Setor 5 no Camphin en Pavéle, setor anterior ao Carrefour, eu imaginava que estaria mais vazio. Meu principal objetivo era ver os profissionais pessoalmente, o que nunca havia acompanhado a não ser pela TV, ataques ou características da prova em si, estariam em segundo plano, mas assistir ao pelotão passando na sua frente não tem preço. Por isso quanto mais vazio melhor.

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Setor Carrefour d’Labre

Quando chegamos ao setor do Carrefour, já sentimos a adrenalina e a movimentação das pessoas chegando para acompanhar, famílias, idosos, crianças, em grande quantidade com seus chapéus, bancos, jornais, rádios, bandeiras de várias nacionalidades, principalmente de Flanders (região Belga próxima a Roubaix) entre outros.

Também é notório a quantidade de tendas montadas pelos espectadores desde a manhã do dia da prova, com os mesmos fazendo “churrasco” europeu, com suas linguiças defumadas e etc, TVs ligada no canal Eurosport e claro, cervejas, várias cervejas para curtir o dia todo.

É importante também ressaltar que havia inúmeros Motors Home já estacionados ali no setor a vários dias antes da prova, dizem que semanas antes já começam as movimentações para conseguir um local de estacionar seu motor Home ali. E claro, tudo sempre sem custo algum. Como a prova acontece em estradas abertas, não é cobrado nada para se acompanhar a corrida.

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A caminho do Setor …

Como eu já havia previsto, o setor do Carrefour, estava cheio, e ainda eram 14hrs, ou seja iria ficar realmente muito mais cheio. Decidimos ir até o Setor do Camphin en Pavéle e ver como estava.

Após 10 minutos de carro, estávamos já no outro setor, arrumamos um local para estacionar o carro a 500m do começo dos pavés, a movimentação sempre crescente e as pessoas chegando.

Local escolhido, e já a postos para esperar os ciclistas passarem, porém ainda teríamos uma espera de aproximadamente 2 horas ali, ainda bem que já estava bem alimentado e claro, água não pode faltar! Lá não se vende nada, ou seja, cada um leva os itens que seja necessário para si mesmo.

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Local onde iriamos esperar os Ciclistas

Nesse local, consegui sentar entre a estrada algumas plantações, ali havia sombra, haja visto que o dia estava com bastante sol, e apesar de ser Primavera, estava quente.

É muito bom estar ali esperando, e vendo as pessoas, famílias e etc, chegando para assistir a corrida.

Nesse momento, ouvimos uma movimentação fora do comum, a prova já estava acontecendo desde as 11hrs da manhã, e o pessoal acompanhando na TV e também com celulares. Essa movimentação foi uma espécie de comemoração e um alvoroço, pois foi o momento em que Peter Sagan atacou solo em relação ao pelotão que estavam os principais favoritos a vencerem a prova. Foi um ataque solo em busca do Suíço que estava liderando a prova.

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Caravana

A partir do alvoroço do ataque do Sagan, a tensão aumentou no setor onde estávamos, já escutávamos e conseguíamos ver no horizonte os helicópteros da organização e de filmagem.

Foi aí que começaram a passar os primeiros carros da caravana, chama-se caravana pois inicialmente passam carros de patrocinadores, jogando pela estrada souvenirs entre outros brindes.

Eu mesmo acabei pegando um Jornal, que estava em Francês o que não adiantou nada, pois não entendi nenhuma palavra! haha

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Primeiros carros das Equipes

Após o início da caravana, começaram a passar os primeiros carros de equipes, geralmente eles lançam carros a frente, para que se algum atleta precisar de algum apoio o carro já está bem localizado.

Dava-se pra notar o quão é complexo andar nos pavés, pois os carros a todo momento tocavam a parte de baixo no chão, nas pedras da estrada devido ao desnível que a estrada tem.

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Motos da Organização

Logo após a inúmeros carros entre caravana e equipes passarem, vieram as motos da organização e enfim, em meio ao caos entre barulhos de helicópteros e a multidão gritando em todas os idiomas possíveis vieram os líderes da prova.

Nesse momento o Sagan havia buscado o Suíço e eles estavam se revesando a quase 30 segundos de vantagem do segundo pelotão.

Não tenho palavras para descrever como é esse momento, alguns de seus ídolos passando em sua frente na maior e mais famosa prova clássica do mundo é Surreal.

Eu não tive reação, não filmei nem mesmo tentei tirar fotos, apenas vi em menos de 2 segundos passarem os 2 à minha frente a mais de 40km/h.  Sagan com o qual eu e a maioria de quem gosta de ciclismo temos a maior admiração, estava na roda do Suíço.

Pude perceber apenas o quanto os 2 estavam sujos de terra, devido a poeira acumulada junto à transpiração ao longo dos quase 250km de prova, e que ele é mais magro que parece na TV!

E claro, isso tudo aos berros e palmas de: “Go Sagan, Go Sagan!!!”

O mais legal de tudo é que ainda fui premiado, e acabei aparecendo na TV, ao vivo na transmissão do Eurosport.

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Após aproximadamente 30 segundos, passaram o grupo perseguidor, com o qual estavam presentes grandes nomes, como Gilbert, Degenkolb e Avermaet, todos campeões dessa prova.

Nesse momento consegui até fazer uma foto!

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Grupo Perseguidor

Devido a dificuldade da corrida, vários grupos vão se formando, não é por acaso que essa é a prova mais difícil do mundo, a % de abandonos é altíssima.

Com isso entre os grupos, existem carros de apoio dentre os atletas, todos usando a mesma estrada.

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Carros das equipes entre os grupos

Ficamos ali aproximadamente 30 minutos, sim, 30 minutos apenas para uma espera de aproximadamente 2 horas e meia no local, imagina aos que estavam a semanas esperando por isso!

Começamos a notar que os espectadores começaram a ir embora também, e na caminhada até o carro, sempre passaram alguns atletas que estavam minutos atrás dos líderes, com o único intuito de concluir a prova mais difícil e temida do ciclismo mundial.

Eu até ficaria mais, mas precisava ir embora, pois já eram 17hrs e ainda precisava me deslocar mais 300km, seguir o roteiro da minha viagem.

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Grupos separados devido aos vários ataques da prova.

Claro que antes de pegar o carro, eu precisava saber quem seria o campeão. E a torcida de todos que ali estavam, eu precisava saber e sentir tudo isso.

Foi aí que a caminho do carro, em uma das tendas particulares que citei anteriormente, tinha uma TV ligada com a transmissão ao vivo.

O setor aonde estava, era aproximadamente a 20km do final, quando cheguei até a tenda, faltavam apenas uns 3km para o fim da prova. Havia uma concentração de gente ao redor dessa tenda, todos levantando a cabeça e ficando sobre a ponta dos pés para tentar assistir a TV.

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Tenda onde tentamos assistir ao final na TV.

Foi ai que entraram para a decisão no Velódromo Antigo de Roubaix, Sagan e Suíço chegaram lá sozinhos, para disputar em um sprint final quem seria o grande campeão da Paris Roubaix 2018.

A torcida foi ao delírio, quando em um sprint fulminante Sagan se consagrou o grande campeão, todos em minha volta comemoraram como se fosse um título de copa do mundo, cervejas e afins sendo jogados para todos os lados.

Sagan é um atleta muito popular e carismático, além de ser um dos melhores do mundo, é impossível torcer contra. Até mesmo os franceses e belgas que são ali da região se rendem ao carisma e talento do mesmo.

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SAGAN Sprint Victory!

E foi assim, logo após a pequena festa, pegamos o carro e fomos seguir nossa viagem.

Se me perguntarem se valeu a pena, ou se compensa ficar uma tarde toda no sol, em pé ou se faria novamente, minha resposta de imediato é Sim! Valeu cada esforço físico e financeiro que fizemos e faria tudo novamente! São momentos que só o ciclismo pode proporcionar e tive o prazer de participar desse momento na história.

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SAGAN!!!!

 

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