GranFondo Miami – USA 2016

Em Novembro de 2016, resolvi me inscrever para participar da Granfondo Miami, corrida anual que acontece na cidade de Miami, litoral Leste dos Estados Unidos. A prova é classificada em 3 distâncias, 100milhas, 60milhas e 25milhas. Foi o 4 ano de realização da prova, o que atrai bastante gente, inclusive brasileiros, Miami é uma das cidades dos Estados Unidos que mais se concentram brasileiros com residência, ilegais ou não, ali todos estão em prol de um único objetivo, apreciar a bela paisagem e participar do evento tentando dar o seu melhor.

Minha viagem começou no dia 30 de outubro, onde saí do Brasil rumo ao estado da Flórida, nos Estados Unidos, onde ficaria 2 semanas, a primeira semana eu ficaria e treinaria em Orlando/FL e depois partiria para Miami/FL para participar do evento, que seria no dia 06/11/2016. A 2 semana ficaria somente por conta de passeios e treinos leve.

Em Orlando/FL, em meus treinos da madrugada, isso devido ao motivo de ter que conciliar, a ida ao parques temáticos que são a principal atração da cidade. Eu tinha que acordar as 4.30hrs da manhã para fazer o treino. Ótimas avenidas, com um asfalto muito bom e plano. Os treinos renderam muito bem, e foi uma ótima oportunidade de acostumar com a bicicleta que iria competir, uma Fuji Transonic 2.9.

Após os dias em Orlando/FL, foi a hora de chegar em Miami/FL para retirar o “KIT” da prova, que consiste em número de identificação, no caso fiquei com o número 154, camisa da prova, obrigatória o uso e mais alguns brindes que a própria organização nos dá.

Confesso que em minha cabeça, a organização seria muito maior, no sentido de um mega evento, tudo que os Americanos organizam geralmente é sempre um show, e em minha cabeça não seria diferente. Quando fui pegar o “Kit”, não vi nada de diferente, a não ser pouca movimentação, o que na hora não me deixou nada empolgado, mas enfim, eu já estava ali para participar, o que me restava era dormir bem e aproveitar e dar tudo que podia no outro dia, que seria o dia da corrida.

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Relógio programado para despertar as 4.30hrs da manhã, horário com o qual prontamente me levantei e fui tomar um café improvisado, me arrumar e conferir os últimos detalhes antes de partir para a corrida.

Dessa vez eu iria pedalando para a prova, a distância entre o hotel e a largada da prova, era de aproximadamente 13 milhas, o equivalente a 20km ou 1 hora de bike, com um giro bem solto. Quando saí, pontualmente as 5.30hrs, estava completamente escuro, a cidade estava em silêncio, havia ainda algum movimento em baladas ou bares, pois esses sim nunca param em Miami Beach.

Uma leve garoa completou esse trecho de translado entre Miami Beach e Miami, especificamente o City Hall of Miami, local aonde seria a largada.

Na chegada ao local, pude ver uma movimentação de ciclistas, se aquecendo e se preparando, mas confesso mais uma vez que estava muito aquém do que imagina, não havia muita gente. Com o passar do tempo e a hora da largada, o pessoal foi chegando e se formou um grande grupo. Ao todo foram mais de 500 participantes, muito menor que um L’etape do Tour, mas mesmo assim uma prova interessante de se participar. E claro pra mim em especial pois ser a primeira disputada na América do Norte.

Com o balizamento feito, e pronto para a largada, reparei que ao meu lado, havia alguém conhecido, mas é difícil reconhecer alguém com capacete, óculos e etc. Porém uma coisa me fez reconhecer, o tamanho do nariz! Sim pelo nariz eu reconheci que era o piloto de Fórmula Indy, Tony Kanaan, liguei aos fatos por saber que ele é ciclista e triatleta.

Foi assim que tive o meu momento selfie, para registar o momento, fiquei com vergonha de pedir para tirar uma foto antes da largada, mas tirei uma foto no “migué” ali mesmo, só para deixar registrado.

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A largada foi dada, o grande pelotão se formava. As ruas da cidade, não estavam 100% fechadas, e a organização da prova providenciou uma escolta policial para o pelotão, ou seja, se o ciclista estivesse nele, estaria protegido e poderia fazer a prova com um ritmo mais forte e teoricamente seguro. Mas o que vi, foi uma falta de organização muito grande, e muito perigoso, como a viatura policial parava nos cruzamentos com a sirene ligada, e os ciclistas tinham que desviar da viatura e cruzar as vias, assim a viatura arrancada a toda velocidade para assumir a pronta do pelotão. Isso tudo em alta velocidade, haja visto que o pelotão estava com uma média de mais de 40km/h.

Minha tática para a prova era a seguinte, eu não estava realmente treinado para fazer uma prova em um nível mais forte, muito menos eu tinha o mapa por onde deveria percorrer, se eu me desconectasse do pelotão, estaria totalmente perdido, enfim, eu tentaria ao máximo ficar no pelotão mesmo que isso me prejudicasse em alguma arrancada final, e foi o que fiz. Fiquei conectado no ritmo forte, revezando roda com o outros ciclistas, entre eles o Tony e etc.

O ritmo estava muito forte, e eu me sentia muito bem, não estava no meu limite e conseguindo ficar bem no pelotão, porém uma leve chuva voltou a cair, garoa bem fina, mas voltou a cair. Infelizmente queria o destino, que em um desses cruzamentos, em específico um cruzamento que era uma linha férrea também aproximadamente no km 15 da prova, uma quantidade grande de ciclistas veio ao chão, em um pelotão, quando alguém tem uma queda, é uma espécie de reação em cadeia, os ciclistas que vem atrás vão caindo uns em cima dos outros.

Eu tentei sair da queda dos demais, mas infelizmente com os trilhos de aço molhados, perdi a roda da frente, pois estava sem atrito nenhum e fui ao chão, sozinho, levando comigo mais alguns ciclistas. Minha reação foi instantânea em pegar a bike e continuar. Antes uma olhada para ver se estava tudo funcionando bem, e também se não havia sofrido alguma lesão mais séria. Mas felizmente foram somente escoriações, e a bike estava perfeita. Lembro de muita gente gritando, pois havia perdido “coisas”, gente perdeu e esqueceu até celular nessa grande queda.

 

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A partir desse momento, com a adrenalina elevada, e a cabeça literalmente a mil, eu continuei. O objetivo era me conectar a algum grupo, para agora poder trabalhar junto e concluir a prova. Outros companheiros que haviam ficado na queda, saíram pouco antes de mim, era a minha chance de acompanhar alguém que poderia me guiar até o final. Porém o ritmo deles estavam muito forte, meu batimentos a quase 200bpm, e eu não conseguia buscá-los. Foi aí que em um desses cruzamentos da cidade, agora sem escolta policial e o grande pelotão que já estavam bem a nossa frente, a ordem era obedecer a sinalização, ou seja, um sinal fechado, eles tiveram que parar, foi onde consegui me conectar aos 3.

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A partir daí, fui seguindo eles, já conectado ao grupo, eu conseguia acompanhar o ritmo sem sobrar. Foi aonde no desenrolar da prova, muita gente não aguentava o ritmo do pelotão, e começava a sobrar. Assim eu e os outros 3 atletas, começamos a buscar e nosso grupo, começou a inchar, ou seja, mais atletas se juntaram a nós. No ciclismo quanto mais pessoas para fazer o revezamento, melhor, significa mais velocidade e menos força aplicada para chegar aos objetivos.

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Nesse momento estávamos aproximadamente na metade da prova, com o nosso grupo em aproximadamente 8 atletas, confesso que comecei a sentir o cansaço de ter feito muita força para buscar o “grupeto” logo após a queda, e com dores no corpo pela queda que sofri no pelotão. Nesse momento me concentrei em somente hidratar, comer algum carboidrato em gel, e concentrar em não “perder a roda” de ninguém, isso seria o fim da prova pra mim.

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Seguindo com toda intensidade, e com mais da metade da prova percorrida, aconteceu um segundo momento crucial para minha prova, em um novo cruzamento, um carro não respeitou o “pare” e cruzou a pista, o que nos obrigou a ter que frear bruscamente, em linha todos os 6 atletas que no momento faziam parte do nosso grupo, fomos desviando um dos outros para evitar o contato. Acontece que o que estava atrás de mim, não deu conta de frear e desviar o suficiente, lembro de eu tirar para a direita para não bater no ciclista a frente, mas o que vinha atrás veio com tudo e colidiu nas minhas costas.

O impacto foi muito grande, devido a velocidade dele, e o “barulho” também. Escutei uns gritos e logo depois, senti a pressão em minhas costelas, o que nos fez ir ao chão, eu e a pessoa que chegara colidir comigo.

No momento, eu ” meio que saí de mim”, fiquei mesmo em choque sem saber o que aconteceu. Mas aos poucos vim recuperando e acalmando e pude constatar que nada de mais grave teria acontecido.

A pessoa que colidiu comigo, ficou alguns minutos deitada, era um senhor mais de idade, ao poucos ele também foi levantando e verificando que estava tudo bem e que poderia prosseguir. Vale lembra primeiramente a 2 brasileiros que estavam no mesmo “grupeto” que eu, que me ajudaram na hora de toda confusão, assim como outros americanos que pararam também.

A organização também merece um agradecimento, pois em poucos minutos havia uma ambulância a nossa disposição no local do acidente.

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Após todas aquela confusão, levantamos e ficamos em 4, seguindo para o final da prova, eu mais os 2 brasileiros e o “tiozão” que havia me derrubado. Paramos alguns minutos para pegar água, e realmente ver o que havia acontecido. A coroa da minha bicicleta estava totalmente empenada, mas nada que fosse prejudicial para concluir a prova.

Fisicamente eu já estava acabado, dores fortes em todo o corpo. Mas estava mentalmente bem para terminar a prova.

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Após mais alguns minutos, cruzamos a linha de chegada, o tempo poderia ter sido bem melhor, se tivesse com o pelotão principal, mas enfim, são coisas de corrida, é normal acontecer, e infelizmente aquele dia não foi o meu. Com pouco mais de 3 horas finalizamos a prova.

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Os 4 que terminaram juntos!  – O americano “Tiozão” a minha esquerda na foto, e os 2 brasileiros a minha direita da foto.

Depois de tudo, foi só pegar a medalha de participação e pode finalmente relaxar! Mais uma prova internacional concluída com sucesso, essa com muitos problemas, mas mesmo assim concluída!

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